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  • Contato Brasil, 24 de julho de 2017 07:39:02
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Marcos Rosetti
  • 17/09/2015 10h52

    O alto custo da CPI da Petrobras

    Só para a empresa Kroll foi pago R$ 1 milhão, sem contar diárias e viagens dos parlamentares. CPI foi criada para blindar políticos que mamaram nos 'vazamentos' da Petrobras. Delatores se negam a falar com deputados

    Fazer cortesia com chapéu alheio é o esporte preferido dos políticos. A Câmara Federal gastou mais de R$ 1 milhão ao contratar a empresa inglesa Kroll, para fazer investigações para a CPI da Petrobras. 

    O rombo não foi maior porque a Kroll jogou a toalha. O contrato previa pagamentos de até R$ 10 milhões. Agora será necessário abrir outra CPI para saber por que a 'espiã inglesa' desistiu do trabalho. 

    A CPI da Petrobras é aquela que agoniza por não ter conseguido chegar a lugar nenhum. A eficiência da operação Lava Jato deixou a CPI a reboque dos fatos. Os delatores se negaram a acusar os próprios deputados. Ou serem confrontados por eles.

    Na verdade, a CPI foi criada com um objetivo definido: blindar os políticos que mamaram, direta ou indiretamente, nos 'vazamentos' da Petrobras. Inclusive o presidente da Casa, deputado Eduardo Cunha (RJ), acusado de receber U$ 5 milhões (de dólares). 

    E foi Cunha quem escolheu a dedo o presidente da Comissão de Inquérito. Mas o tiro saiu pela culatra. O palco da lama foi transferido para Curitiba. Em Brasília, ficaram apenas os medíocres coadjuvantes deste triste espetáculo.

    A Kroll, contratada para dar munição à CPI, mas morreu na praia. Levou R$ 1 milhão e tirou o time de campo. Esta mesma empresa foi alvo de investigação da Polícia Federal em 2004.

    O banqueiro Daniel Dantas foi acusado de contratar a empresa para espionar executivos da Telecom Itália. 

    Na época, Dantas negou a contratação da empresa para a realização de interceptação telefônica de adversários empresariais e membros do governo. Ele foi absolvido pela Justiça da denúncia de formação de quadrilha.

    Cunha acuado

    Outra constatação do mesmo episódio: Democracia e força não combinam. Criar a CPI foi um dos atos de força de Cunha. Mas não durou sete meses a arrogância do presidente da Câmara na condução dos trabalhos legislativos. 

    Achando que poderia ocupar o espaço deixado por uma presidente fraca e indecisa, Cunha tentou uma espécie de parlamentarismo de cadeira. Teve que recuar e se calar. 

    Ele se convenceu de que o melhor era o acordão, que envolveu até o silêncio da oposição. A conta da CPI, que não se limitou ao contrato com a Kroll, será debitada no orçamento da Câmara, cuja origem são nossos impostos.

     

    *Marcos Rosetti é repórter e editor da Agência Congresso