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  • Contato Brasil, 25 de abril de 2017 23:01:13
Marcos Rosetti
  • 01/08/2015 16h45

    Tempos modernos‏

    O ex-ministro Joaquim Barbosa foi aplaudido ao entrar num restaurante no Rio. Já Guido Mantega foi vaiado em SP. Os políticos precisam aprender a conviver com essa nova realidade, o povo anda revoltado. A mudança de humor da população tende a piorar

    O episódio da mulher que foi convidada a deixar uma aeronave da TAM no aeroporto de Vitória, após dizer que gostaria de ser uma mulher bomba para explodir o governador Paulo Hartung (PMDB) - sentando uma poltrona atrás da dela - ilustra bem a mudança dos tempos em relação à paciência da população com os políticos.

    A história foi divulgada pela Agência Congresso: Mulher ''ameaça'' governador com falsa bomba em voo da TAM.

    No início do ano, o ex-ministro do Supremo, Joaquim Barbosa, foi aplaudido de pé após entrar num restaurante do Rio de Janeiro.

    Em São Paulo, o ex-ministro de Lula, Alexandre Padilha, foi vaiado após ser identificado pelo serviço de som de um aeroporto. 

    Ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, também teve que ouvir duras críticas na capital paulista e decidiu entrar com ação de calúnia, difamação e injúria contra o engenheiro José João Armada Locoselli e o empresário Marcelo Maktas Melsohn por ter sido ofendido em um restaurante dia 28 de junho.

    Os políticos precisam apreender a conviver com a mudança de humor da população. O povo não aceita mais ser enganado, prejudicado; mal atendido.

    Quem se elege prometendo bom desempenho e fracassa tem que aceitar a cobrança.

    É um direito do eleitor. E quem se dispõe a ser homem público, ou mulher, tem que aceitar o cacete.

    A impunidade acabou. O cidadão hoje tem as redes sociais para ou a coragem para o desabafo.

    A mulher retirada do avião não se constituía nenhuma ameaça à segurança do voo. Ela apenas manifestou sua revolta por ver à sua frente a pessoa que julga ter prejudicado sua família. Mas num lugar impróprio.

    O governador adotou uma postura correta, se calou face ao constrangimento. Mas, dois outros passageiros, o deputado federal Evair de Melo e o prefeito de São Domingos do Norte, Geraldo Guidone, agiram em sua defesa.

    Pediram ao comandante da aeronave a retirada da mulher. O prefeito chegou a alegar que ela estava sentada numa saída de emergência.

    No final, a própria mulher optou por deixar o avião para evitar maiores constrangimentos.

    Que o caso sirva de exemplo aos políticos. E para quem quiser fazer protesto dentro de avião, melhor, da próxima vez, levar o protesto por escrito.

    *Marcos Rosetti é repórter e editor da Agência Congresso