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  • Contato Brasil, 17 de dezembro de 2018 05:54:27
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Genésio Jr.
  • 09/09/2018 13h22

    Presunção e imprevisibilidade

    Qual a relação que a última quinta-feira, 6 de setembro de 2018, tem com quarta-feira, 13 de agosto de 2014?

    O que o avião de Eduardo Campos tem de relação com a facada em Bolsonaro( Foto: montagem Política Real)

    (Brasília-DF) Qual a relação que a  última quinta-feira, 6 de setembro de 2018, tem com quarta-feira, 13 de agosto de 2014?

    Eu e minha mania(não é ideia fixa de maluco!) de querer relacionar as coisas do Brasil com as coisas do Nordeste. A última quinta foi o dia do atentado contra o candidato à Presidência do PSL, deputado federal Jair Messias Bolsonaro. O referido 13 de agosto foi o dia da queda do avião e consequente morte de Eduardo Henrique Accioly Campos, candidato do PSB à Presidência da República na disputa de 2014.

    Na semana passada, o Ibope mostrou que Bolsonaro tinha conseguido 2 pontos percentuais do espólio das intenções de votos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, impedido de ser candidato; liderava a pesquisa, mas perderia no segundo turno para Marina Silva, Ciro Gomes e Geraldo Alckmin. Só seria competitivo contra uma possível candidatura de Fernando Haddad. O candidato do PSL tem 44% de rejeição, segundo o Ibope.

    Em 2014, depois da queda do avião, Marina Silva, então no PSB, saltou dos 7% que tinha Campos e foi logo para 21% e chegou a empatar com Dilma Rousseff, nos números da Datafolha, em 34%.

    Os articuladores de Bolsonaro, flagrante entre seus apoiadores durante todo o final de semana,  a empolgação nas redes sociais era flagrante - aventavam que o ex-capitão venceria a eleição no primeiro turno. Logo se voltou a dar atenção às declarações dos filhos falantes - Flávio, Eduardo e Carlos, o menos loquaz( ou seria teclador?!). Atenções se voltaram para o General Mourão, vice de Bolsonaro.

    Teremos pesquisa na segunda-feira, 10, via Datafolha. Muito se especula que Bolsonaro deverá crescer nas intenções de votos, porém Mauro Paulino, diretor do Datafolha, disse que o mais importante nas próximas pesquisas é medir a redução da rejeição que tem Jair Bolsonaro.  Nenhum candidato à Presidência tem futuro com tanta rejeição.

    Não podemos esquecer que existe muita gente que não quer votar.  Não podermos deixar de lado que o eleitorado lulista, agora, está sendo bombardeado pela redobrada atenção que se dá a cobertura jornalística que se dá a Bolsonaro e aquele que cometeu o atentado, que se reconhece de esquerda e foi filiado ao PSOL - o PT mais mercurial e aceso. O lulista não é de esquerda.

    O eleitorado nordestino tem dado seus votos, vinha dando mais atenção, nas pesquisas sem Lula, notadamente, a Ciro Gomes e Marina Silva. Ambos não tem o tal do tempo de televisão.  O candidato Geraldo Alckmin, com tempo de sobra, parou de bombardear Jair Bolsonaro, para não parecer antipático, cruel e indiferente. As candidaturas ainda não sabem o que fazer para lidar com o atentado e a empatia natural que se deferiu ao ex-capitão.  Alckmin, em seu programa do sábado, 08, destacou que não se resolve nada com bala e nem com faca. Deixou subliminar um caminho, que não se sabe possível.

    Em 2014, a desconstrução que a campanha de Dilma Rousseff impôs ao “sucesso” dos efeitos do avião, não tem razões para existir em 2018.

    É pouco crível que a eleição se defina em primeiro turno. Em 2014, na primeira volta da disputa, o Datafolha informa que 23% do eleitorado se definiu na última semana e 8% se posicionou no dia da votação. No momento, 50% do eleitorado feminino ainda está indefinido. Quanto do eleitorado nordestino se moverá, frente a essa nuvem toda não se tem dimensão.  São quatro semanas até o dia D do primeiro turno.

    Vão parecer que foram muito dias para uns e muito pouco para outros. Uma coisa é certa, nunca vivemos um quadro tão indefinido!

    Por Genésio Araújo Jr, jornalista

    Email: polí[email protected]