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  • Contato Brasil, 22 de maio de 2018 22:35:47
Genésio Jr.
  • 29/04/2018 14h52

    O egípcio encanta lá, o que encanta cá!?

    E se o Brasil ganhar a Copa do Mundo num evento que poderá ser internacionalista, como há anos não se via? Isso seria suficiente para mexer com esse estado de coisas e de ânimos?

    Mohamed Salah encanta e derruba mitos. E aqi?( foto: site renascença)

    (Brasília-DF) Dentro de 45 dias começa a Copa do Mundo da Rússia, o Brasil e boa parte do planeta que se encanta com o “Esporte Bretão” vai se deixar embalar.  Os que não se apaixonam com esse esporte não conseguem entender tamanha força.  O futebol tem fama de ser redentor, de fazer o mais fraco, às vezes, vencer o mais forte. Quem entende exagera, diz que é o único esporte que consegue tal condição.  O mais fraco vencer o mais forte!

    Argumento, brincando com os jornalistas correspondentes ingleses e americanos que conheço e convivo.  Os americanos inventaram o Impeachment, mas quem melhor o faz são os brasileiros!  Os ingleses inventaram o futebol, mas os que melhor o fazem são os brasileiros! Eles, pragmáticos que são, ou educados com o brasileiro anfitrião – nunca retrucaram. Um assunto que vem mexendo com o Planeta Bola(sic) e que vem tendo implicação efetiva com a vida pública tem sido o sucesso do egípcio Mohamed Salah. Para quem não é afeito ao tema, rapidamente esclareço: trata-se de um futebolista de cabeleira armada e barba espessa de média estatura que joga pelo histórico time inglês Liverpool, que vem batendo recordes de gols e deverá levar seu time a final do maior campeonato do mundo, a Champions League, Liga dos Campeões da Europa.

    Os britânicos e o Mundo estão vendo um jogador de origem humilde que se desdobrou para chegar onde chegou fazendo com que comunidades apaixonadas pelo esporte se encantem; mulçumano que a cada gol  que faz se abaixa ao chão e levanta as mãos ao céu, numa referência clássica de sua religião e cultura.  Os jovens estão encantados com essa figura diferente que mostra o lado mágico da cultura islâmica, qual ficou associada com barbudos facínoras e terroristas.

    Isso é a força da cultura. Esporte é cultura. Absolutamente revolucionário - como mexe com jovens, fica para sempre. Imagens falam mais que muitas e severas palavras. 

    E o que isso tem com o Brasil nosso de cada dia, marcado por absurdos como o quase atentado sofrido pelos que faziam o acampamento Marisa Letícia em apoio ao ex-presidente Lula, preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba(PR)?    O que isso se ajusta com um país à beira da loucura sobre decisões que nossa Justiça toma a cada momento e provoca questionamentos sem fim? O que isso tem haver com um país enfraquecido em sua maior conquista, que até um dia desses impressionava o planeta: a maior economia emergente fincada na democracia?

    Mohamed Salah está gerando solidariedade numa Europa que até um dia desses se expunha em suas tradições mundialistas e gregárias contra uma xenofobia aos estrangeiros que chegaram em massa, fugindo dos efeitos da primavera islâmica de 2013, fomentada, bancada, pelos mesmos europeus.

    Mohamed Salah deverá ser uma das estrelas da Copa do Mundo da Rússia. As copas do Mundo tem uma força muito grande no Brasil.  Assim se viu com as vitórias de nossa seleção canarinho em 58, no auge do Brasil 50 anos em 5 de JK,; na vitória do Chile em 62, a seleção canarinho reduziu a pressão sobre o Governo Goulart, que depois caiu; em 1.970, houve toda a onda do “todos juntos  em ação” e o “ame-o ou deixe-o”, usado pelos militares.  Em 2002, voltamos a ser campeões do mundo e Lula chegou ao topo do poder. Os anos seguintes não foram suficientes, face aos anos de crescimento econômico de sucesso dos Brics, para resultar em nada, e os canarinhos nada ganharam.

    E se o Brasil ganhar a Copa do Mundo num evento que poderá ser internacionalista, como há anos não se via?  Isso seria suficiente para mexer com esse estado de coisas e de ânimos?  Poucos acreditam que o Brasil deixará de ser ficar como está, dividido. Mas poucos duvidam que tudo pode acontecer neste país varonil!

    Por Genésio Araújo Jr, jornalista

    Email: [email protected]