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  • Contato Brasil, 22 de novembro de 2017 14:45:05
Genésio Jr.
  • 05/11/2017 14h28

    O fator Henrique Meirelles

    Muita gente fala, apressadamente, que existe dois governos, o político contaminado pela corrupção, e o econômico “limpo” que faz o país andar depois de 3 anos de recessão econômica gravíssima

    Henrique Meireles quer ser um FHC( foto: site Política Real)

    (Brasília-DF) O brasileiro vive a esgrimir seu complexo de vira lata. Quando surge uma onda positiva parece que somos o maior povo do Mundo, porém quando está dando errado nos achamos um lixo!  O brasileiro médio procura o meio, o chamado equilíbrio, talvez tenha relação com o lado positivo, e há, no tal do jeitinho brasileiro. 

    Os nordestinos, uns brasileiros específicos pois são confrontados com o mais largo e imponente semiárido habitado do Planeta Terra – já são mais oportunistas. Temos o hábito de adorar o milagre, seja qual for o santo. Em meio a um momento em que 2018 já começa a mexer com todo mundo, em que se fala nos destacados Lula e Jair Bolsonaro surgiu no apagar da semana passada a declaração do ministro da Fazenda, Henrique Meireles, dizendo que é presidenciável. Existe uma voz geral, nos meios políticos mais experientes, de que foi um grave erro do chefe da economia nacional.

    Muita gente fala, apressadamente, que existe dois governos, o político contaminado pela corrupção, e o econômico “limpo” que faz o país andar depois de 3 anos de recessão econômica gravíssima. Um Dr.Jekyll e Mr.Hyde, como na obra de Robert Stevenson, que expõe com deliciosa narrativa a dualidade humana na perspectiva racionalista tão forte no Século XIX.

    Uma falácia, pois não existem ações econômicas sem decisão política. Uma estultice de alguns que preferem argumentações fáceis frente a exigências de análise.

    Sobre Meireles, e seus movimentos políticos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, logo quando Meireles começou a empreender ações que para bom-entendedor apontavam para uma inegável retomada econômica - disse, com um certo ar de ciúme histórico(se é que isso existe?!), que era muito improvável que o chefe da economia de hoje repetisse o seu, dele JHC, êxito de 1994.  FHC, que também foi chefe de economia de governo - foi eleito Presidente da República face ao sucesso retumbante do Plano Real moldado no também reformista governo Itamar Franco. Os muitos jovens que foram moldados já na estabilidade econômica não imaginam como era improvável que FHC virasse o que virou, da mesma como parece improvável que Meirelles vire o que anunciou, um presidenciável, e de sucesso!

    Os nordestinos, os mais sensíveis agentes políticos do Brasil, não duvidam de nada. É nosso hábito não duvidar o que a política pode fazer.  O que chama atenção no movimento aparentemente inábil de Meireles, é que além de exigir muito dos políticos num momento em que poucos querem ficar próximos do Palácio do Planalto, ele coloca à prova a mania nacional de querer sempre o equilíbrio. 

    De fato, o Brasil atordoado com os efeitos da Lava Jato se refugia e os encantados com os extremos, e algum tipo de nostalgia, se esfalfam com as candidaturas de Lula e Bolsonaro.

    Parecem se esquecer que buscam, na prática, o equilíbrio.  Meireles incensado por sabe-se lá quem, talvez alguma assessoria a soldo, se prontifica a ser o agente do equilíbrio, porém ele parece apostar em algo pouco inteligente, que não se irá, mesmo que ele tenha grande sucesso na fórmula economia-política, conecta-lo com a aventura empresarial mais nebulosa da história brasileira no Século 21, a JBS, maior processadora de proteína animal do Planeta!

    Por Genésio Araújo Jr, jornalista

    e-mail: [email protected]