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  • Contato Brasil, 24 de julho de 2017 07:41:16
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Genésio Jr.
  • 26/03/2017 12h44

    Estão esperando por quem não virá!

    Eles fizeram acusações mútuas que deixaram muitos de cabelo em pé. Coisas de disputa política. Quando membros do Judiciário fazem movimentos que ultrapassam os autos eles fazem política. Isso é inequívoco

    Samuel Beckett, autor da célebre "Esperando Godot"; os políticos esperam pelo que não virá

    (Brasília-DF)  Estamos nos últimos dias do mês de março e a crise econômica, ética e política continua efervescente. A crise econômica tem data certa para acabar. Nossos problemas políticos e éticos não vão nos largar tão cedo.

    Temos um grave problema de origem, que não vamos, por opção, envergar uma sequência de teorias históricas e antropológicas, vocês estão fartos de saber uma ou outra. Vamos lidar com as agruras do momento. Que seja!

    Na semana passada, o que chamou atenção em meio a mais uma etapa da Lava Jato, revelações do julgamento da chapa Dilma-Temer, novos vazamentos, votação da Terceirização, equívocos pantagruélicos da Operação Carne Fraca, fala sem fim de Renan Calheiros no plenário do Senado, abertura da discussão no Senado sobre Foro Privilegiado e caminhar da votação sobre um nova lei sobre abuso de autoridade – foi a disputa dentro do Judiciário entre o Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, e o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot.

    Eles fizeram acusações mútuas que deixaram muitos de cabelo em pé. Coisas de disputa política. Quando membros do Judiciário fazem movimentos que ultrapassam os autos eles fazem política. Isso é inequívoco. Movimentos públicos que permitem à sociedade, como um todo julgar, é prevalência em torno do poder - isso é política. Quando isso ocorre podemos e devemos assuntar!  Como a chamada grande classe política nordestinas, que comanda o Congresso Nacional, em sua majoritária condição – poderia tratar o assunto?

    Essa classe política, já destacamos aqui, diferente da época do Mensalão, está metida até o pescoço na crise do Petrolão.  A mais polêmica delação que mexeu com essa gente toda foi a do cearense Sérgio Machado, que acabou se ajustando a feita pelo ex-VP de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho. Problemas, para eles, não faltam.  O primeiro time de políticos nordestinos tem uma maior proximidade com o ministro Gilmar Mendes.

    Mendes foi assessor de Collor de Melo e depois de FHC. Foi colega de Ministério com Renan Calheiros e outros tantos. Lidou com Romero Jucá e Sérgio Machado quando esses eram expoentes de FHC.  Rodrigo Janot uma vez se sentiu impedido de mover inquérito que seja contra o senador Eunício Oliveira e foi, recentemente, derrotado pela defensa de José Sarney que mesmo sem Foro Privilegiado conseguiu ficar sendo investigado no Supremo.

    Mendes e Janot, por razões diversas, se dependerem dos políticos tem razões para se preocupar.  Mendes pela proximidade com investigados que deveria evitar, enquanto Janot pelas posturas que podem atrapalhar não mais sua vida mas a de toda a classe que representa. Nessa questão, quem mais perde são os políticos, porém eles não precisam achar que lhes está mais difícil que parece.

    A discussão sobre Foro Privilegiado só irá avançar se a nova Lei sobre Abuso de Autoridade for enfrentada. Isso é evidente para quem conhece o Congresso Nacional. Aos mais atentos e experientes surge evidente que os políticos, sejam eles profissionais ou os que fazem política, contam que a retomada da economia será fundamental para arrefecer tudo isso. As pessoas como um todo tendem a cuidar de suas vidas com a economia se ajustando, deixarão de colocar a culpa nos donos do poder face suas agruras.    Estão esperando demais!?

    Parece que todos se inspiram pela obra de Samuel Beckett, “Esperando Godot”. Todos ficam esperando por alguém que não virá. Não há jeito para a velha política, sejam eles de esquerda ou de direita!

    Por Genésio Araújo Jr, jornalista

    e-mail: [email protected]