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  • Contato Brasil, 24 de julho de 2017 07:38:51
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Genésio Jr.
  • 06/03/2017 05h50

    Sobre a chegada, sobre a permanência

    Não dá para Temer fazer um governo com o exército que o fez chegar onde chegou.

    (Brasília-DF)  Certa vez critiquei duramente a incompetência do governo Dilma Rousseff pelo lado antropológico. Sem pretensões, não podemos esquecer que política é uma ação humana sobre o meio cultural em torno do poder. Antropologia é a gênese disso tudo, o estudo do homem na esfera social.

    Naquela época dizia que a então Presidenta Dilma Rousseff se serviu de um grupo de gaúchos e paranaenses, com alguns poucos paulistas. Destacava que Os sulistas não eram grandes políticos para o concerto nacional. Lembrei que Getúlio Vargas, o grande sulista que fez sucesso na vida pública brasileira, seja revolucionária, democratas ou ditatorial – assim que chegou ao poder se desfez de seus gaúchos que lhe acompanharam na chegada ao Obelisco da Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro.  Poucos lhe acompanharam na jornada de 1930 a 1045. Osvaldo Aranha foi um dos poucos.  A sapiência de Getúlio foi se livrar dos gaúchos pois eles são bons para briga e não para um ajustamento nacional, que deseja Vargas.

    Dilma se cercou de gente boa de briga, mas que não entendiam nada de Brasil, assim como não tinham força para, reconhecendo tal dificuldades, fazerem a “chefa” crer que algo poderia ser feito de melhor nessa seara.

    Sempre se destacou aqui em Brasília que os profissionais da política, que o PMDB tem de sobra, iria dar um jeito no bumba-meu-boi que foi a desorganização de Dilma Rousseff. De fato, nunca se viu um governo com tanto apoio parlamentar, pelo menos até agora, porém o novo poderoso, Michel Temer, comete um erro petista, que na verdade se remete a Getúlio Vargas.  Ele chegou ao poder com seus amigos e queria fazer um Governo com eles, pois com os tais, chegou onde chegou.  Seus próximos não são os espalha-brasas de Getúlio, porém eles são atingidos pelo pecado original que mancomunou todo o processo de poder que ainda está em curso no Brasil.

    Não dá para Temer fazer um governo com o exército que o fez chegar onde chegou. A situação do gaúcho mais mineiro deste governo, o ministro chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, é um caso completo. Dificilmente, após as revelações do advogado José Yunes, ex-assessor especial de Temer, de que foi feito “mula” por Padilha num episódio de caixa-dois da Oderbrecht, assim como o desenrolar das atitudes do Ministério Público Federal sobre o caso, farão com que ele permaneça no Governo Federal.   Temer e o Governo perdem muito com a saída do articulado e ágil ex-deputado federal e ex-ministro em governos de FHC e de Dilma Rousseff.

    Temer vai enfrentar uma semana árdua.  Evidente, que a indicação do senador  pernambucano Romero Jucá(PMDB-RR) para a liderança do Governo no Senado e do sergipano André Moura(PSC-SE) para a liderança do Governo no Congresso são estratégias para amarrar mais ainda sua base parlamentar.   O Presidente da República aperta os nós, mas a folga haverá. Ele não controla.

    Para finalizar, preparem-se! Se isso for possível, mas os desdobramentos da delação da Oderbrecht tendem a começar a chegar forte nos estados neste mês de março. A bronca não é mais federal, mas geral!

    Boa semana a todos.

    por Genésio Araújo Jr, jornalista