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  • Contato Brasil, 15 de dezembro de 2017 15:49:26
Edson Vidigal
  • 30/08/2017 18h47

    Os romanos até que tentaram

    Sabe-se que por trás das boas intenções dos políticos rolava algum dinheiro como o verbo mais convincente de muitos eleitores.

    Imagem estilizada do Senado Romano( Foto: Wikipidea)

    Até parece que não há mais nada acontecendo no País. É Lava a Jato prá cá, é Lava a Jato pra lá, mas isso vem durando tanto e dizem que por um mínimo de mais dois anos ainda vai durar.

    É tanta a sujeira a lavar que a nós, cidadãos plenos nas obrigações tributárias e, não obstante, desfalcados pelo Estado no tudo a ver com a cidadania, não nos cabe ficar escamoteando tanta indignação.

    Nas investigações dessa Lava Jato não há indicio que não realce a conexão entre a promiscuidade entre o poder político e o poder econômico, os dois fazendo o diabo, como um dia receitou a Dilma, para ludibriando a soberania popular continuarem dominando o Estado.

    Os romanos até que tentaram moralizar a coisa quando obrigaram os candidatos aos cargos públicos a se vestirem numa túnica branca e durante um período antes da eleição a desfilarem assim pela cidade.

    Candidato vem de cândido, aquele que conseguisse atravessar todo o período da campanha andando pelas ruas, enfiado numa túnica branca, sem que ninguém lhe incomodasse atirando-lhe um tomate ou ovo podre.

    Sabe-se que por trás das boas intenções dos políticos rolava algum dinheiro como o verbo mais convincente de muitos eleitores.

    Há registros de que a eleição para o primeiro cargo da carreira politica de César, o de sacerdote do Templo, custou uma pequena fortuna à família dele, que bancou tudo.

    A soberania popular, mais que antigamente, tem sido conspurcada para favorecer os donos do poder politico e os financiadores de suas campanhas eleitorais.

    O jogo é pesado. Rola muito dinheiro numa eleição para Vereador. Imagine para um Deputado, Senador ou Presidente da República.

    Temos assistido decisões da Justiça Eleitoral cassando mandatos sob a acusação de abusos do poder politico ou do poder econômico.

    O voto segue sendo comprado sob as mais diversas modalidades que a cada eleição mais se sofisticam. Mas não nunca se viu a cassação do título de eleitor de quem vendeu o seu voto em troca de qualquer vantagem.

    O combate à corrupção eleitoral tem que alcançar também a outra ponta do túnel por onde escorre a podridão do esgoto -  o eleitor que dá o voto em troca de vantagem pessoal.

    Edson Vidigal, Advogado, foi Presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho da Justiça Federal.

    (Este artigo foi publicado há mais de um ano neste espaço.)