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  • Contato Brasil, 25 de setembro de 2017 03:14:44
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Edson Vidigal
  • 20/10/2016 08h28

    As vacas profanas e as superfaturadas

    Ouço muitos dizendo que depois da Lava a Jato não vai ter lugar nos presídios do País para tantos criminosos que fazendo-se passar por políticos se aboletaram nas facilidades do clientelismo, do toma lá dá cá.

    Sempre que o Brasil tem pela frente um desafio monumental como o destes tempos de tanta intolerância e insensatez, em meio a tanta gente escabreada como ultimamente, encontro consolo e me animo ao lembrar-me da constatação de Goethe - mais difícil do que derrotar o monstro e remover-lhe os destroços.

    Quem está de fora, querendo, pode ver melhor. As lentes dos óculos ou das meninas-dos-olhos ficam mais límpidas. Os que seguem no picadeiro desse circo montado na maior maciota e com o maior conforto em qualquer espaço onde seja possível amealhar algum dinheirinho, ainda apostam naquele perdão prometido por Cristo aos que não sabem o que fazem.

    Ora, não sabem. Sabem e muito. Não apenas sabem como até ensinam suas artes e manhas às ovelhinhas recém-chegadas. Logo saberão que não sendo apadrinhados por um desses Corleones, e os são muitos em diversas frentes, não terão futuro na organização marginal a que pejorativamente chamam de política.

    Impressionante ver em cores nítidas como a rapaziada, sem temor de consequências, aprende rápido a se dar bem. É lhes ensinado que quanto mais processos criminais, melhor. O foro privilegiado faz desaguar todos para enxurrada que leva à prescrição, que consolida a impunidade. Nas prateleiras do Supremo Tribunal Federal.

    Ouço muitos dizendo que depois da Lava a Jato não vai ter lugar nos presídios do País para tantos criminosos que fazendo-se passar por políticos se aboletaram nas facilidades do clientelismo, do toma lá dá cá.

    Ouvi no rádio que um Deputado do Maranhão, ou de sobrenome Maranhão, para levar à votação um projeto do Governo exigiu uma Vice Presidência da Caixa Econômica Federal. Antes, na votação do impeachment, um Senador, aliás, socialista, emplacou um apadrinhado na direção de um Banco estatal.

    A que serve tamanho clientelismo? Ao aperfeiçoamento democrático é que não é.

    O monstro incorporado na desastrosa presidência da senhora Dilma restou vencido, não sem antes causar os maiores prejuízos à economia, à coesão social, enfim ao que resistiu no arcabouço institucional.

    A estratégia da tomada do Estado por prazo ilimitado pela via do aparelhamento dos três poderes não se completou a tempo e, assim, não funcionou totalmente.

    Remover agora os destroços do monstro que se mostrava imbatível, o qual ainda jaz inerte decompondo-se sob o sol e a chuva na Praça dos Três Poderes, não é tarefa para tão poucos patriotas nessa urgência que a atual realidade social e política impõem.

    Ontem, no Ministério da Agricultura, por exemplo, não era possível fechar contrato. Sem receber o que fora contratado, a empresa prestadora dos serviços retirou todas as maquinas copiadoras e agora, vencido o prazo do contrato, tudo está a depender ainda de uma licitação.

    Para economizar despesa com hotel em Tóquio, 

    Temer preferiu viajar à noite. O fuso horário de 24 (vinte e quatro) horas lhe atrasou a notícia. Enquanto dormia, e ainda era madrugada, a Polícia Federal prendia em Brasília no inicio da tarde um grande prócer do PMDB, o ex - Presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Quando os policiais chegaram, Cunha nem se mostrou surpreso. Estava de mala pronta desde ante-ontem.

    Na véspera, horas antes do Juiz Moro assinar a ordem mandando prender Cunha, estourou uma rebelião num manicômio em Franco da Rocha, município de São Paulo. Alguns fugitivos foram capturados. 55 (cinquenta e cinco), não. Estão livres misturando-se com outros que querem porque querem que o Juiz Moro não mande prender o Lula.

    Edson Vidigal, advogado, foi Presidente do Superior Tri unas de Justiça e do Conselho da Justiça Federal.