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  • Contato Brasil, 26 de maio de 2017 17:48:43
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Misto Brasília - Por Gilmar Correa
  • 20/03/2017 11h05

    Entre a Lava Jato e a Carne Fraca

    É uma sociedade formada pelo “jeitinho” e sabemos como isso fez mal à nossa Nação

    Manifestação de brasileiros contra a corrupção/Arquivo/Top10

    O Brasil é um país controvertido. Não é de hoje que grandes e pequenos temas acabam caindo no gosto popular. Mas vira e mexe caímos na armadilha do “cachorro gaipeca”, ou como disse Nelson Rodrigues, “complexo de vira-latas”.

    O comentário surge por conta da mais nova polêmica que se abate sobre um orgulho brasileiro. As discussões em torno da carne vão por um caminho negativo.

    A oportunidade de colocar o trem nos trilhos morre por conta do debate pobre e da discussão política, como bem observou o nosso colega aqui do Misto Brasília André César no “Fast food nation à brasileira?”

    A Lava Jato assim como a Carne Fraca são duas entre tantas operações que demonstram uma transformação do país. É preciso reconhecer que o Brasil experimenta novos indicadores. É uma sociedade formada pelo “jeitinho” e sabemos como isso fez mal à nossa Nação.

    Compartilho a ideia de que estamos numa encruzilhada, cuja direção será dada pela sociedade. Somente a vigilância e a participação podem determinar o futuro. Sim, é tudo muito lento, mas até na sua casa a mudança de local de um armário, por exemplo, provoca quase sempre um debate quase interminável.

    É preciso manter o foco, eliminar o periférico e definir objetivos. Fica a observação de Marcos Pontes, em seu livro “Missão Cumprida” (editora Chris McHilliad): “Que tipo de país, que tipo de sociedade, que tipo de cultura deixaremos para as próximas gerações, para os nossos netos”?

    Com toda essa mistura de culturas e referências, para citar Darcy Ribeiro no ensaio “Povo Brasileiro”, nós, os brasileiros, provocamos a necessidade de se criar uma identidade. Entretanto, ao contrário do que muitos afirmam, é cedo ao dizer que o Brasil não deu certo, como tentou analisar o próprio historiador-antropólogo.

    Fico com o que certa vez afirmou o líder político venezuelano Simon Bolívar: "É com este que temos que contar, é com este que temos que trabalhar”.