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  • Contato Brasil, 19 de março de 2019 03:51:20
Humberto Azevedo
  • 15/02/2019 15h39

    Senador pela REDE assume comissão do Meio Ambiente e dispara contra ministro

    Em seu discurso de posse, Fabiano Contarato (ES) afirmou que sua postura a frente do colegiado será de independência com relação ao governo Bolsonaro

    Na foto feita pela assessoria, o novo presidente da Comissão de Meio Ambiente do Senado, Contarato, ao lado do seu vice-presidente - o senador Jacques Wagner (PT-BA), na gestão 2019-2020 que tem como função avaliar as políticas públicas ambientais, além d

    O senador Fabiano Contarato (REDE-ES) tomou posse no final da tarde desta quarta-feira (13) como o mais novo presidente da Comissão de Meio Ambiente e de Desenvolvimento Sustentável (CMA) do Senado Federal. Em seu discurso, o parlamentar capixaba afirmou que sua gestão à frente do colegiado até o final de 2020 será de independência com relação ao governo do presidente Jair Messias Bolsonaro (PSL).

    Em seu pronunciamento que durou mais de 15 minutos, Contarato criticou o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Sales, que na última segunda-feira (11) em entrevista ao programa Rodaviva da TV Cultura de SP desdenhara da figura de Chico Mendes, para ele “um dos maiores líderes globais”.

    “Se alguém, no mundo, me perguntasse quem é Chico Mendes, eu não teria dúvidas que foi um dos maiores líderes globais na defesa do meio ambiente, da Amazônia, dos povos da Amazônia e de um país mais justo”, provocou Contarato à declaração de Sales que disse que o ecologista – assassinado por fazendeiros na véspera do natal de 1988 – “é irrelevante” para o meio ambiente.

    Fazendo mais críticas ao ministro da área ambiental do governo Bolsonaro, o senador Contarato que se elegeu com mais de 1,7 milhões de votos fez, ainda, uma pequena homenagem a Chico Mendes repetindo uma frase do ambientalista que resume – para ele – a importância da luta pela preservação do meio ambiente.

    “Em homenagem a ele, tem uma frase dele que quero compartilhar e fazer uma reflexão com vocês: ‘no começo pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras, depois pensei que estava lutando para salvar a floresta amazônica. Agora percebo que estou lutando pela humanidade’”, falou.

     

    Vergonha

    O novo presidente do colegiado do Senado que é responsável pela deliberação das políticas públicas ambientais afirmou também que tem “vergonha” em pertencer a um país que privilegia alguns cidadãos em detrimento de outros.

    Ele destacou que lutará para mudar a legislação para que vítimas de catástrofes possam receber o mesmo tratamento equitativo em suas indenizações. Ele criticou o fato de que as indenizações trabalhistas da tragédia de Brumadinho aos trabalhadores da Vale será, para cada uma das famílias, 50 vezes o salário que era pago.

    “Eu me envergonho quando eu chego neste Senado Federal e eu tenho que usar um elevador privativo só para os senadores. Por que eu não me acho melhor que ninguém que entre neste Senado. Eu me envergonho que funcionários terceirizados são submetidos a revista enquanto que os demais não são”, declarou.

     

    Sem preconceitos

    “Eu tenho um sonho de um dia estar aqui, ou na tribuna do Senado, e falar para todos vocês que nós vivemos numa democracia na qual todos somos iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza. Eu tenho um sonho de um dia das pessoas não te julgarem por sua orientação sexual, pela cor da pele, ou pela etnia, religião e por ser portador de necessidade especial”, continuou.

     

    Direito das mulheres

    “Eu tenho um sonho das mulheres serem tratadas, como manda a Constituição de 88 em seu artigo 5º que diz que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações que hoje é uma mentira. Você entra no serviço público se mulher em [condição de] igualdade, mas para depois na obtenção de cargos, essa não é a realidade. No serviço privado isso é pior”, complementou.

     

    Salário miserável

    “Eu tenho um sonho em que um dia o que está expresso no artigo 7º, inciso 4º, da Constituição Federal que diz que a União vai instituir um salário mínimo capaz de suprir as suas condições e necessidades da família com saúde, educação, moradia, lazer, vestuário e higiene. E nós temos este mísero salário [de R$ 998,00] enquanto funcionários desta Casa passam de ganhar até mais que R$ 30 mil”, completou.