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  • Contato Brasil, 11 de dezembro de 2018 07:50:34
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Humberto Azevedo
  • 07/08/2018 19h18

    Preso, Lula será candidato mesmo não sendo; Aécio só finge de morto; a democracia vai morrendo e Ciro se arma com o que tem

    Tanto faz se Lula continuará preso, ou não; no imaginário popular o ex-presidente terá a cara de Haddad e Manuela; Ciro aposta em parte do agronegócio para vencer o petista no 1º turno;

    Estratégia PT-PCdoB encalacra os setores contrários a volta do “nunca dantes” ao Palácio do Planalto

    A prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tão comemorada por setores umbilicalmente ligados à operação Lava Jato começa a se tornar um estorvo para àqueles que queriam evitar de uma vez por toda qualquer possibilidade de retorno do presidente mais popular da recente história republicana ao centro do poder político tupiniquim.

    A prisão virou símbolo de perseguição política para todos àqueles que não comungam com o ideário conservador que tanto conclama que enfim a justiça é para todos. Lula, hoje, é mais útil preso ao seu legado político dentro do campo progressista, do que solto. Solto, talvez, devesse ser eleito em 1º turno. Mas teria um desafio enorme para se manter mito daqueles que o idolatram e ser o governante de que o país necessita para permitir a volta do crescimento econômico.

    A prisão, apesar de uma clara restrição à liberdade, é um grande trunfo para ajudar em sua eleição, ou para solidificar a eleição do candidato que tiver a sua benção. Com índices de aprovação inabaláveis no NE, MG e RJ que permitiram a reeleição da presidente Dilma que fez um primeiro mandato decadente, sua força – após um atrapalhado golpimpeachment que escancarou as negociatas imorais – é ainda maior que em 2014, ano em que sua preferida de 2010 venceu o processo eleitoral por um fio de bigode.

    A então oposição ao petismo, DEM/PSDB, errou ao entrar no jogo proposto pelo ex-presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ) que colocou a farsa do impeachment na mesa para mostrar aos petistas que poderia até morrer, mas que igualmente arrancaria o PT do poder. Seduzido pelo velho golpismo que tanto inebriou a velha União Democrática Nacional (UDN), os tucanos entraram no jogo suicida de Cunha com o vislumbre do poder político oferecido no pós-impeachment. Deu no que deu.

    Aécio, trucidado pela Lava Jato que precisava atingir os inimigos do petismo para fingir uma certa neutralidade, viu seu poderio político em MG escorrer pelas mãos. Para evitar uma nova vergonha de não conseguir alcançar novamente a cadeira de senador pelo Estado, ficar sem mandato e dando sopa para alguns juízes, decidiu sabiamente se candidatar a deputado federal. A possibilidade real de ser encarcerado em 2019 pesou em sua decisão. Mas para quem acha que Aécio morreu politicamente por conta disso, está redondamente enganado. Mais velho, o neto de Tancredo Neves será figura nevrálgica na reconstrução política neste pós-Lava Jato que periga devolver o Brasil aos patamares antes do Plano Real.

     

    Censura

    Esse último final de semana foi registrado mais um sinal de que os tempos turvos não tem data para terminar. Pelo contrário! O sítio Misto Brasília de meu amigo e colega, Gilmar Correa, editor do referido endereço especializado em publicações políticas, foi alvo de uma censura prévia determinada pela justiça capixaba e que continua até o momento em vigor.

    A saída para o veículo sair da escuridão, da mordaça e das trevas e continuar informando seu publico formado em sua maioria pelo espectro do conservadorismo, foi aderir a um domínio internacional, se hospedando longe das terras bruzundangas. A barbárie cometida contra o Misto Brasília é a mesma que vem atormentado já algum tempo o ótimo jornalista Marcelo Auler que vê com frequência investidas contra o seu blog pela turba do judicialismo e do policialismo.

    Em solidariedade, enviei ao colega Gilmar a seguinte missiva: É o que tenho dito ao afirmar que já estamos sob o predomínio de um processo ditatorial. Estamos rumo a um Estado policialesco. As ditaduras no século 21 não se dão mais através das armas, das fardas e das galochas. Elas se dão graças ao ativismo judicial. Começou pegando um estrato da sociedade que por disputas políticas permitiu-se o cometimento da exceção. Agora começa-se a aprofundar o processo ditatorial-judicial-policial. Quando todos perceberem, pronto: já estaremos mergulhados num regime opressor que não distinguirá mais os inimigos pela coloração ideológica e, sim, proibirá a livre circulação de ideias e de expressão. Aí, talvez e muito provavelmente, já será tarde.

    Para quem quiser ler a nota emitida pelo Misto Brasília de expurgo a mais essa iniciativa asquerosa de censura política, nestes tempos contemporâneos, segue o link neste título que resume muito bem o momento em que vivemos: Um ataque à liberdade de expressão.

     

    Aliança com o agronegócio

    Principal adversário do PT neste 1º turno, Ciro Gomes do PDT vai tentando demonstrar que pode ser tanto o candidato que arregimenta com a esquerda como com a direita também. Sua escolha caseira que confirmou a senadora Kátia Abreu (PDT-TO) como sua candidata à vice-presidência da República tem um intento: mostrar diálogo com o setor do agronegócio.

    Apesar de Kátia Abreu estar um tanto estremecida com o setor de onde surgiu graças a sua lealdade a ex-presidente Dilma Roussef, a senadora que alcançou a presidência da entidade máxima da produção rural, a Confederação da Pecuária e Agricultura do Brasil (CNA) não está totalmente alijada. Ela conhece o setor como poucos e poucas. E sabe que o grande desafio de Ciro e de Alkmin, também, será conseguir esvaziar a sedução que boa parte dos recônditos ligados à agroindústria tem no momento para votar no capitão-deputado Jair “Messias” Bolsonaro.

    Ciro que hoje é colocado na bolsa de apostas como o azarão para passar ao 2º turno não está totalmente destruído e desmobilizado. É bom lembrar que boa parte das elites nordestinas vão com ele. Resta saber se isso será um bônus ou um ônus.

     

    Sugestão de leituras

    Crônica cultural

    Cultura Inútil: “Pobre não sabe fazer nada” - as melhores frases e ditados sobre pobreza;

     

    Eleições 2018

    O pior é ter que concordar com o Bolsonaro e a Janaína Paschoal – A questão é que Bolsonaro falou que Roberto Marinho defendeu sempre o regime militar. E isso é absolutamente verdadeiro;

     

    Eleições 2018

    Síndrome do cachorro mordido por cobra que tem medo de linguiça, ou seria o capitão-deputado um novo Hitler: "Empresas alemãs repetem erro ao silenciar sobre Bolsonaro" - Associação dos Acionistas Críticos da Alemanha cobra que empresas alemãs no Brasil se distanciem da declaração favorável da CNI ao candidato. DW questiona as nove maiores, mas nenhuma quer come;

     

    Eleições 2018

    Começa o período mais sensível da vida política, a tensão pré-eleitoral: Acordos nacionais deixam mágoas entre os partidos na reta final da campanha - PDT desfaz arranjos com PSB nos Estados, Centrão não entrega apoios a Alckmin e PT, PSB e DEM tiveram rachas internos;

     

    Eleições 2018

    Ou uma análise psicanalítica: O dilema dos 10% - Christian Dunker apresenta uma interessante parábola ética para ajudar a pensar alguns dos dilemas morais envolvidos nas eleições presidenciais que se avizinham;

     

    Justiça (?)

    Moro violou regras internacionais em decisões sobre Tacla Duran, diz Interpol;

     

    Sociedade

    Fiéis apontam caminho que desabonam quem vive da batina ou do clero: Aborto: 65% dos católicos e 59% dos evangélicos são a favor da legalização, diz estudo;