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  • Contato Brasil, 24 de julho de 2017 07:35:38
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Humberto Azevedo
  • 26/10/2016 18h51

    E agora?

    Artigo de Claudia Spessatto publicado originalmente em 2003 no sítio do Congresso em Foco e pelo caráter atualíssimo vale a releitura

    Por Claudia Spessatto

    O roto falando do esfarrapado. O mal lavado atacando o imundo. O fedido investigando o putrefato. Cada um procurando, no outro, erros maiores para justificar a própria imundice.

    A verdade é que apenas poucas honrosas exceções, livram-se do mar de lama que envolve a política nacional. Em princípio, o real ninho da serpente pode ser creditado ao famoso jeitinho brasileiro que, com sua pouca memória, legitima não só o mandato de cidadãos notoriamente corruptos, como também reconduz, aos poderes legislativo e executivo, anões e duendes da selva do submundo.

    Vender voto por uns óculos, uma camiseta ou um boné, em princípio iguala-se ao ato de trocar posição ideológica e comprometimento humano por envelopes de suborno. O preceito corruptível é o mesmo e a falta de responsabilidade social é tão danosa quanto àquela que leva os cofres públicos ao definhamento.

    Aos eleitores cuidadosos, restou o assombro de assistir o caminhar da política nacional, em sua luta em prol da conquista da democracia, praticando atos em causa própria.

    Já escolhemos loucos, topetudos e bigodudos, na busca da igualdade social e na esperança de angariarmos justiça, democracia e esperança. Colhemos escândalos novelísticos, desemprego e crise interna.

    Olhamos com esperança para o casal de sociólogo e antropóloga, na expectativa de assistir o desenvolver de um governo que trabalhasse pela causa humanista e tratasse, filosoficamente, o povo com respeito e consideração. Testemunhamos o pregão do País, que foi colocado em leilão em prol dos interesses internacionais.

    Mudando de tática, elegemos o trabalhador para conquistar, pelo menos, a lisura que acompanhava as promessas eleitorais. Recebemos em troca a aniquilação total de toda e qualquer fé na política nacional.

    O próximo passo, de responsabilidade de cada um dos eleitores deste País, é lembrar que cada voto encerra em si os desígnios de toda uma Nação. O futuro a nós pertence e, mesmo sem esperanças, deveremos escolher melhor os que nos representam e tutoram os bens e empresas construídas com o nosso próprio suor.

    (*) Claudia Spessatto, residente em Brasília, é designer de interiores